Ver Deus é um sinal de sanidade.

A alma nobre e delicada, ainda que a mais simples, desde que possua uma fina sensibilidade, vê Deus em tudo, encontra-O em toda parte, sabe encontrar a Deus até debaixo das coisas mais obscuras.

Santa Faustina.

Essas sábias palavras de Santa Faustina, descrevem a pessoa que não se afastou da sua sensibilidade, do seu afeto original que brota em nossos corações desde o primeiro minuto de nossas vidas.  É a pessoa, que soube controlar o seu orgulho diante de Deus, e conseguiu com esforço próprio, se manter ligado ao afeto divino. É uma pessoa que se alimenta da percepção de Deus, e nota com facilidade a sua ação Dele nas coisas que foram criadas por Ele. Ama os animais, as crianças, os deveres e até os sofrimentos, pois percebe com muita nitidez que tudo isso surge de uma fonte de muito amor, e ao lutar para se aproximar dela, meditar sobre ela e cultuá-la, quem sai ganhando é ela mesma. Então a pessoa que se envolve em uma atitude de submissão a uma vontade maior, se esforça para se diminuir, se enriquece espiritualmente em grande proporção. Ela se torna mais feliz, aguenta os sofrimentos com maior tolerância, equilibra seus pensamentos, tem onde se apoiar quando se sente enfraquecida, se livre das fobias, maus pensamentos, angústias e tudo isso aumenta em muito sua felicidade, mesmo que no mundo material não seja favorecida.

Você pode ser milionário…e não sabe.

Sabe como?  Trocando a ideia de que a riqueza está no dinheiro, pela de que a riqueza está no amor.

Outro dia, eu vi um programa de TV em que mostrava uma menina na África, que não tinha as duas pernas e  só conseguia andar com as mãos. Uma desgraça que ninguém deseja nem para os piores inimigos, mas que era a dura realidade dela. Mas para minha surpresa, ao ouvir o testemunho das pessoas que conviviam com ela, percebi que era a pessoa mais feliz daquela aldeia. Ela ajudava na plantação, na igreja, e estava sempre cantando. Mas como isso é possível? E a única resposta que eu possa dar, é que ela fez justamente o que eu recomendei na primeira frase desse texto. Ela não tinha nada, nem riquezas materiais, nem beleza, nem agilidade, mas era a mais feliz e a mais rica de todas.

Por que odiamos ver os próprios erros.

Nada é mais difícil nessa vida, do que admitir os próprios erros . Essa atitude de humildade que somos obrigados a ter, é uma afronta à nossa vaidade. Quando entramos em contato com eles, somos forçados a enfrentar  uma humilhação extrema, pois ao perceber o mal que nos assola, automaticamente admitimos que ele está inserido em um bem maior, e isso nos leva a notar o bem absoluto que é o próprio Deus. Então perceber os próprios defeitos é se humilhar diante de Deus. E para nos perdoar,  temos que primeiro admitir o nosso própria ódio, o qual voltamos contra Ele e a tudo o que Ele representa. Somos obrigados a ver nossa insignificância como seres  humanos e com isso o nosso orgulho arde e tira o nosso chão. Já vi reações das mais diversas quando alguém foi humilhado pela visão dos próprios erros, como explosão de gritos, choros convulsivos, depressão e  até uma possessão. É interessante ver como isso nos machuca.

A ira benéfica e a ira destruidora.

Quando decidimos por vontade própria nos afastar de Deus, o nosso coração se esvazia do amor e se enche de ódio. E como consequencia, nós voltamos nossa energia natural contra Ele e tudo o que vem Dele ou seja, voltamos a nossa ira contra Ele. Essa atitude se denomina de inveja de Deus, que é a luta desesperada que empreendemos contra Ele e todos os seus valores, ou seja, a própria realidade, seja a religião, os bons sentimentos como a alegria, a felicidade, a bondade ou o trabalho, entre outros. Começamos a nos afastar desses valores, e começamos a pervertê-los. Começamos a achar que a desonestidade, a preguiça, a fofoca, a maldade é que realmente nos trazem benefícios na vida e atitudes como honestidade, trabalho e humildade só nos levam ao prejuízo.

O ser humano fixado na fase anal.

As pessoas em geral, após se afastarem de Deus e não perceberem mais seus próprios defeitos, começam a criar uma ideia de auto perfeição. Elas adotam uma atitude de vaidade extrema, que podemos denominar de teomania, que seria uma atitude de agir pensando que são uma espécie de divindade. Elas voltam suas mentes para essa ilusão, e tentam desenvolver um mundo onde tudo confirme essa vontade deformada. Constroem suas vidas baseada em mentiras que ela conta sobre si mesmas. Mas é importante perceber, que elas não estão muito conscientes desse processo. Elas por orgulho, se afastam de Deus, e descambam em uma inconsciência absoluta de si mesmas, pois não tem mais o infinito para se compararem. Nesse processo, elas não percebem mais suas falhas e começam a se ver como divinas.

E há três formas de se realizar essa ilusão. Através dos prazeres físicos, do dinheiro e do poder, que seriam respectivamente as pessoas fixadas na fase oral, anal e genital. A fase anal, que vai estudada abaixo, leva a pessoa a se concentrar em ter as coisas de forma irracional, movidas por uma falta de confiança na providência divina.

- as fixadas na fase anal: São pessoas avarentas, acumuladoras de bens, são insaciáveis, tem amor ao prazer, à vanglória, e duvidam da providência divina. Por isso têm muito medo de perderem tudo, tornando-as paranóicas, com mania de proteção. Têm a tendencia a sentirem medo, pois não confiam no futuro, e acham que todos só querem seus pertences. É  como o povo americano é apresentado nos filmes, povo que eu não conheço de perto, confesso. Essa fase pode ser considerada uma mistura das fases  oral e  genital. Ela aglutina os defeitos das outras duas. São pessoas que desenvolvem o desejo de serem admiradas pelas suas conquistas e dotes como os narcísicos e  têm amor aos prazeres como os orais. Têm a tendência a desenvolver uma personalidade paranoica.

Pessoas fixadas nessa fase, têm a tendência a serem mais práticas, pois para se ganhar dinheiro precisam  saber o que fazem. Perdem com facilidade a noção da moral, pois têm como meta somente o dinheiro, por isso Cristo afirmava que era impossível servir a Ele e à riqueza ao mesmo tempo. São agressivos, e se comprazem ao provocar sofrimento no próximo. Projetam seus problemas nos outros com muita facilidade, e acabam se sentindo agredidos, mas são eles que agridem. Por se sentirem muito perseguidos, acabam admirando de certa maneira as corporações militares, exército, etc… Não estou dizendo que todo mundo que entra nelas é paranoico, mas que as pessoas anais paranoicas gostam de pensar nessa proteção.  Nem toda pessoa fixada nessa fase, tem uma personalidade paranoica, pode ser depressiva, mas é bem mais raro.

Só conseguimos nos aproximar de Deus, através dos 7 sacramentos e da devoção a Maria.

CASO 1 :Quando Maria entrou no consultório, eu percebi imediatamente que havia algo muito errado com ela. Ela se deitou no divã com aquele ar pesado, de alguém que foi esmagado pela vida, e começou a falar sobre o seu passado. Ela disse : – Eu não consigo mais viver. A vida me levou para um beco sem saída. – Mas o que aconteceu? – perguntei. Quando eu era criança, fui abusada sexualmente pelo meu irmão por vários anos, pois ele era muito maior do que eu. A minha mãe e meu pai, simplesmente ignoraram o fato, e  permitiram que aquele abuso continuasse por vários anos. Hoje eu não tolero a presença masculina, e odeio com todas as minhas forças meu pai e minha mãe.

CASO 2:  Joana tinha uma mágoa com a vida muito grande. Sua mãe, ficou grávida dela, mas o seu pai rejeitou a mãe por isso. Muito revoltada, e querendo se vingar do marido, voltou seu ódio contra Joana. Na gravidez dela, ela deu uma facada em sua barriga. Aos dois anos, ela tentou estrangulá-la, mas foi contida, aos seis anos expulsou-a de casa, onde nunca mais voltou. Foi socorrida por um abrigo, e viveu pelas ruas desde então. Depois conseguiu um emprego e foi melhorando de vida. Hoje abomina a mãe e não perdoa o pai. Não quer ter família, e não tolera relacionamentos.

CASO 3: Carlos tinha um pai muito ocupado, que não tinha tempo para ele. Como a mãe de Carlos era muito doente, desde que nasceu viveu sem a presença tanto do pai como da mãe. Isso causou nele um desprezo pela família, como pelo pai e pela mãe. Ficou desajustado, e não tolerava a hierarquia e a disciplina.

CASO 4: Maria tinha duas filhas, e uma delas morreu assassinada quando era ainda uma criança. Maria se sentiu extremamente revoltada com a vida e com Deus.

 

Lendo os casos acima, você sabe o que ele têm em comum? O sofrimento humano, aquele que ninguém consegue escapar durante a vida. E a pergunta que me vem à mente, é como fazer essas pessoas se sentirem melhor consigo mesmas, com a vida e com Deus? Será que elas são capazes de lidarem sozinhas com toda essa angústia existencial, todo esse sofrimento, toda essa dor? Com certeza não. Elas precisam de ajuda, não somente a ajuda humana, mas também da ajuda espiritual.

O ser humano fixado na fase oral.

O SER HUMANO FIXADO NA FASE ORAL.

As características básicas de quem se fixa nessa fase, e tenta prolongá-la na fase adulta é:

GULA : que pode ser dividido em duas buscas. Uma é a necessidade de sentir determinados gostos, como cerveja, vinho, cigarro, certos pratos, mas tudo isso se torna insaciável, porque tudo o que é ligado ao corpo, é bastante insatisfatório.  Eu gostaria de perguntara, se você já  foi em um restaurante  pela primeira vez, e se maravilhou com um prato qualquer, e depois nos outros dias que se seguiram, você não via a hora de voltar lá e comê-lo novamente? Só que quando você come o mesmo prato uma, duas ou mais vezes, você acaba achando que aquela sensação inicial não se repetiu, e no fim você acaba até enjoando do prato. Esse é o problema de se concentrar nas sensações corporais, mesmo a sexual, pois elas são prazerosas mas limitadas. Sempre escutamos pessoas falar de cerveja e outras bebidas alcoólicas, como se fossem estupendamente maravilhosas, mas não é verdade.

Queremos ser felizes através da nossa ilusão de divindade.

Quando nós adotamos a atitude de inveja do criador, nós deixamos de enxergá-lo. E isso bloqueia a visão dos nossos erros. Só conseguimos perceber as nossas falhas, quando nos aproximamos de Deus. Como nos recusamos a nos aproximar do divino, por falta de humildade, nós começamos a nos encher de vaidade. Vaidade pode ser definida como a falta de proximidade com Deus. Nós todos temos a tendência de nos elogiar com frequencia, e como não percebemos mais a nossa pequenez, começamos a acreditar neles. Vamos criando uma imagem de auto perfeição, até um ponto que ela nos convence definitivamente, de que somos muito melhores do que a realidade permite. Isso nos leva a querer montar uma vida, onde tudo confirme essa visão de grandiosidade, e tudo que a destrói nos irrita profundamente. Essa é a nossa neurose, em rejeitar a realidade e querer viver um mundo de ilusão, onde nós somos os próprios deuses. Queremos virar grandes empresários, cientistas, beleza infinita,bilionários, mas não percebemos que a felicidade real está dentro de nós agora, basta agir de acordo com o amor de Deus.

A vaidade inevitavelmente gera uma atitude de teomania em nós. Ou seja, a vaidade nos leva a acreditar que somos os próprios deuses aqui na Terra, e a partir dela, queremos que a vida confirme essa impressão que só nós vemos. Teomania é isso, é agir como se fôssemos um Deus. Então começamos a viver a vida, para criar um reino particular, onde tudo gravite em torno de nós. Com essa ideia inconsciente habitando a nossa mente, nos colocamos à obra, em uma tentativa frustrada de tentar chegar à felicidade. Nós queremos na verdade, uma felicidade que tem que advir da nossa percepção de divindade. Ou seja, queremos ser felizes, ao sermos reconhecidos como deuses e ao colocarmos o universo aos nossos serviços.Achamos a humildade algo ofensivo a nós.  Se fosse um busca genuína pela felicidade, nós perceberíamos que essa atitude de vaidade extrema, só traz destruição e tristeza e mudaríamos de atitude. Mas essa é a maldição que recai sobre os nossos ombros, quando adotamos a atitude de orgulho diante de Deus. Queremos ser felizes, tomando o lugar de Deus (só na nossa imaginação) e como isso é impossível de ser feito, nos condenamos à eterna busca do impossível. Isso nos leva cada vez em direção ao inferno e criamos a ilusão de que não somos felizes, porque não chegamos lá. E cada vez mais, vamos nos afundo nessa busca impossível, na destruição, no ódio, na angústia, até que não sobre mais nada em nós, que não seja tristeza, choro e ranger de dentes.

Aparições marianas.

Assistam a essa aparição filmada em uma igreja cristã kopta, no Egito. Ela ficou vários minutos na frente de todos. Ela já tinha aparecido em 1968, e agora repete em 2009.

A consequencia do nosso orgulho.

Nesse capítulo, eu vou mostrar que acontece com a gente, quando o nosso orgulho diante de Deus, toma conta da nossa personalidade. Quando adotamos uma atitude de orgulho em relação a Deus, nos recusando entrar em contato com o divino, mesmo que a nossa mente nos aponte a necessidade de se buscar algo maior em nossas vidas, isso nos conduz a um processo de abandono de tudo o que é espiritual, nos levando a valorizar o nosso contato com o mundo material. Isso se traduz em três atitudes:

- A primeira que é valorização dos valores sociais em demasia. Queremos estar ligado no que a sociedade pensa de nós, e nos sentimos inferiorizados quando não conseguimos nos destacar nela. Concordamos com tudo que ela dita, e ficamos felizes em reproduzir seus valores, nos tornando uma espécie de robô. Nos tornamos seres facilmente influenciáveis e ficamos felizes quando pertencemos à maioria. O maior crime para nós e ser ridicularizado em público, não importando se sua atitude foi verdadeira ou falsa. Criamos um comportamento de manada, e seguimos para onde o rebanho vai, nos tonando seres sem estofo e caráter. É a nossa vaidade que se alimenta da admiração da sociedade, mesmo que ela nos induza a agir contra a razão.