A importância da devoção.

O que é devoção?

Na Psicanálise Cristã, nós encaramos a devoção como um caminho para a sanidade ou teologicamente falando, um caminho para a santidade. Devoção é um ato firme da vontade, no culto a Deus ou como falou São Tomás de Aquino, é uma vontade pronta para se entregar ao culto de Deus. É o encontro de duas vontades, a nossa e a do criador. Quando nos esforçamos para encontrar o divino, enchemos o nosso coração de uma vontade férrea de conhecê-lo, e diante dessa disponibilidade, Deus aproveita para transformar os nossos sentimentos, nos inflando de amor. O amor brota em nós como uma fonte. Na devoção, nós trocamos uma atitude de firmeza conosco mesmo, por amor.

Perceber as próprias falhas diante do ato de aproximação de Deus, através da devoção, é diferente de perceber as próprias falhas diante de uma ação equivocada que tomamos, onde percebemos alguma atitude errada que tomamos. Quando percebemos os nossos defeitos na devoção, ela vem acompanhada do amor divino, e só assim, um sentimento de perdão e humildade acompanham essa percepção, nos levando a admitir os nossos erros. Quando percebemos um erro, no nosso dia a dia, nós sofremos muito, pois afeta a nossa auto imagem de perfeição, e fica muito difícil conviver com uma consciência de falha se não tiver acompanhada do amor divino.

Por exemplo, quando lembramos de alguma coisa que fizemos no passado, quase sempre fazemos caretas, ou falamos mais alto, ou aceleramos o carro, ou paramos de fazer algo que estamos fazendo, gritamos e assim por diante. Isso acontece, porque a percepção se deu sem o perdão. E agora eu vou dar um truque que vai aliviar a vida de muita gente, inclusive de muitos analistas que não sabem como melhorar essas atitudes, que são perturbadoras. Se estivermos lembrando muitas coisas do passado, e ficamos tomando atitudes estranhas, é porque não estamos conseguindo nos perdoar. E aonde nós arrumamos esse perdão? Com certeza,  não vamos conseguir isso sozinho. O perdão vem diretamente do amor divino.

Então a prática devocional, como já foi explicado acima, é muito importante para começarmos a ver os nossos problemas com muito amor no coração. No ato devocional meditamos sobre os nossos problemas, o que faz com que nos acostumemos a vê-los sob a ótica de Deus, e aos poucos vamos nos acalmando. E quando estivermos fazendo alguma coisa e nos lembrarmos deles, aquela nova atitude que você incutiu em sua mente através da devoção vai sendo evocada, e  aprendemos a encará-los com leveza. E acredite, essa é uma das atitudes  que mais incomoda as pessoas no dia a dia. A prática da devoção pode ser estendida para todos os nossos problemas, como aquela tristeza que nos fura o peito, e queremos aprender a vê-la com menos intensidade, aquela saudade que machuca, aquele problema insolúvel, e assim por diante. Deus reparte o nosso fardo conosco. Ele quer nos ver aliviados, e só Ele pode fazer isso através da devoção, lugar onde nos ensina a ver os nossos problemas com amor, esperança e leveza.

Quando você perceber no seu dia a dia, uma lembrança que te incomoda, é bom guardar em sua memória, e quando você for fazer seu ato devocional, deve tentar vê-la sob a nova ótica do amor divino. Isso cria uma sinergia, e depois de um tempo, você vai dar risada quando lembrar dos seus problemas. Mas devo avisar que a nossa sanidade tem um custo, e esse preço que devemos pagar é o combate constante contra as nossas loucuras. E só avisando, nós nunca vamos conseguir ser 100% sadios. Podemos melhorar, mas sempre vamos carregar para o resto das nossas vidas, uma ou outra lembrança que nos machucam mais. Sozinho, é impossível nos sentirmos leves. A não ser que você se entupa de remédio, mas aí você só está fugindo do problema, e não resolvendo-o.

É importante perceber, que isso não é uma técnica de programação neurolinguística. Essas técnicas servem para resolver problemas simples do cotidiano, como medo de bichos, ou medo de avião, mas é incapaz de dar uma diretriz sólida para uma pessoa pelo resto das nossas vidas como faz a religião. É preciso que haja um correspondente na realidade, que confirme as nossas impressões, senão elas rapidamente se diluem. É por isso que as técnicas da PNL, são curtas e específicas. Por exemplo, uma pessoa tem medo de uma aranha, e os psicoterapeutas a fazem se aproximar de uma lentamente, até que a pessoa perca o medo. É óbvio que a origem desses problemas são muito mais profundos do que a PNL gosta de admitir, mas para que uma pessoa possa viver melhor, também não é um grande problema se o resultado for positivo. Por exemplo, eu tinha muito medo de avião. É óbvio que esse medo vem da falta da minha confiança no divino, da falta da ter uma perspectiva melhor da vida após a morte, e na desconfiança que eu tinha de não estar no controle. E tudo isso, me inspirava uma ideia de claustrofobia quando eu somente pensava em entrar em um avião. Quando eu tive que andar de avião a primeira vez, eu apelei para todas as técnicas da PNL, como mascar chiclete, ler durante a viajem, visualização, entre e outras e consegui com muito esforço fazer a viagem. Mas junto com isso, fui me dedicando mais à devoção, à minha aproximação com Deus, e hoje eu já entro no avião com muita facilidade. Então não vejo mal em se utilizar de ações que facilitem as nossas vidas, desde que acompanhada da visão espiritual que levou a pessoa a tomar aquela atitude. Tem muito analista purista que odeia isso, e acha que só tem que ficar na teoria, mas se pensarmos que a ação no bem é uma oração a Deus, podemos entender que ao agirmos no bem, em uma ação positiva, benéfica, nós estamos nos aproximando Dele.

Vou fazer uma pergunta para você? Você já notou que só temos percepções de algo em que estamos envolvidos com um interesse direto, seja trabalhando sobre determinado assunto ou o estudando. Isso quer dizer, que a nossa percepção se dá através dos sentidos, e eles formam uma imagem em nossa mente, que dá significado ao que você percebeu. Por exemplo, você nunca vai ter uma percepção sobre engenharia, se você trabalha como professor de literatura. É necessário estarmos envolvidos, para percebermos. Por isso, quando trabalhamos temos muitas percepções das nossas falhas, e elas acontecem porque na ação nós temos consciência do divino. Por isso, a ação é o complemento da devoção, da contemplação, mas é na devoção que conseguimos dividir o nosso fardo. Por isso, a preguiça pode ser entendida sobre esse aspecto, que nada mais é do que uma recusa a relacionar com Deus, o que nos leva à angústia.

Na devoção surge normalmente, um sentimento de alegria, gozo interno. É nela que o nosso coração se enche de amor, e como todos nós sabemos, o amor é a solução para os nossos sofrimentos. Mas é o amor que vem diretamente do encontro com Deus. É o caminho que Deus nos deu, para O alcançarmos. É o querer Deus, como o maior bem que se pode alcançar na vida. É daí também que surge a nossa percepção dos defeitos, pelo fato de estarmos nos aproximando do divino, isso nos leva a uma percepção maior da nossa pequenez. Conhecer é se apaixonar, e à medida que vamos nos aproximando do divino, mais o conhecemos, e mais nos sentimos ligados a ELE.

Quando praticamos a devoção, devemos meditar sobre o amor Dele, e sobre os nossos defeitos. Com isso, nos conectamos ao amor Dele, e automaticamente, nos enchemos de amor, e de consciência das nossas falhas de caráter. Quando isso acontece, automaticamente, começamos a nos corrigir. Essa é a verdadeira consciência, que é bem diferente da percepção dos nossos erros, que fazemos nos consultórios de psicanálise.

Temos que entender, que o amor é um reflexo do amor divino em nós. Ele surge em Deus, e se manifesta em nós. Então somos como a lua, que refletimos a  luz do Sol. Todos nós nascemos com uma capacidade de refletir essa luz ou esse amor divino. Mas precisamos buscar uma intensidade de amor maior em nós, para vivermos bem e isso só conseguimos com a aproximação nossa com Deus. Na nossa vida, nós só podemos ter duas atitudes em relação ao amor. Ou o cultivamos e o acrescentamos em nós, ou o destruímos com a nossa recusa em se aproximar de Deus. Ou você está contra ou está a favor. E todos nós, hora nos aproximamos do amor e hora nos afastamos dele.

O que confunde muito os analistas em seus consultórios, é que quando o seu paciente vai lá, ele está refletindo uma quantidade de amor divino em seu interior, devido à ação que ele desenvolve ou pela sua própria devoção. Então ele tem uma certa capacidade de resolver problemas, se não fosse assim, não conseguiríamos procurar o divino. E por isso, quase todas as correntes psicanalistas funcionam no começo. Ao tomar ciência dos seus problemas, ou só o fato de parar e se olhar interiormente, o paciente consegue corrigir alguns defeitos que o levam à infelicidade. Mas esse processo se esgota rapidamente. E isso acontece, primeiro por que as psicanálises querem resolver o problema de seus pacientes com teorias de qualidade bem duvidosa, com pensamentos, e não percebem que o pensamento é consequencia da atitude que o paciente toma. Querem resolver o secundário, e deixam a causa primeira de fora. A psicanálise não tem como atingir a causa primeira dentro de um consultório. Por isso, a psicanálise cristã afirma que a solução dos problemas das pessoas, se encontra na devoção a Deus. É lá que você se enche do amor divino, e vai conseguir se mover em direção ao bem. A psicanálise cristã tem como função ser um auxiliar nesse processo, onde a pessoa vai tomar ciência, e não consciência dos seus problemas, de forma individualizada, vai  entender o funcionamento da espiritualidade e vai ser convencida da necessidade de uma vida religiosa séria. Mas ninguém pode fazer a pessoa se dedicar a Deus, se ela não quiser. Se ela quiser tratar seus problemas de forma superficial, é melhor procurar outras correntes psicanalíticas, onde jogam a culpa de todos os seus problemas nos pais, na sociedade ou ainda na sexualidade. A psicanálise cristã vai muito além da psicanálise comum, porque ao se unir à religião, ela força a pessoa a sair da sua zona de alienação e a faz ir para um nível de amor muito maior. As outras psicanálises, pegam somente o amor que o paciente já manifesta, os corrige um pouco, mas com o tempo, todas levam os seus pacientes a uma negação do amor, pois os desviam do problema do amor, com teorias e práticas inventadas nas cabeças humanas. 

Nossa Senhora, Mãe de Jesus, é o máximo que a devoção humana pode atingir. É através Dela, que atingimos o mais íntimo contato com o divino, e somente através dessa devoção, é que conseguimos chegar ao mais alto grau de sanidade possível aqui na Terra. Por isso, Nossa Senhora é o símbolo da psicanálise cristã, é onde todos nós, que queremos viver a vida no seu mais alto nível espiritual, devemos nos encaminhar.

 

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