As duas atitudes mais importantes.

As duas atitudes mais importantes que podemos adotar em nossas vidas, se resumem em dizer ‘sim’ ou ‘não’ a Deus. Quando nascemos, existe toda uma realidade que nos cerca, e nos induz a nos perguntarmos de onde vem tanta ordem, tanta beleza e amor. Essa instigação que a vida nos faz, começa aos poucos a nos convencer de que existe algo que formou tudo isso. Somos forçados a nos confrontar com essa questão à medida que crescemos, pois é uma realidade que não só se apresenta a nós, como também ela nos forma e faz parte de nós. E é aí que entra a questão do ‘sim’ e do ‘não’.

Podemos adotar duas atitudes em relação à realidade. Podemos adotar uma atitude de humildade, e acatar essa incrível realidade, que nos instiga ao bem, ou podemos adotar uma atitude de orgulho, onde nos recusamos a aceitá-la, nos levando ao mal. E vou logo avisando, que vivemos na corda bamba, pois uma hora a aceitamos e noutra a  recusamos. Vivemos nessa eterna tensão, e é a busca desse equilíbrio, que nos leva à sanidade ou à loucura.

 

O problema é que não estamos muito conscientes dessas escolhas, e por essa falha, acabamos sofrendo e prejudicando as nossas vidas. Um dos objetivos da Psicanálise Cristã, é justamente levar essa consciência das escolhas que fazemos em nossas vidas às pessoas, para que elas possam entender melhor o seu funcionamento, e possam ter uma existência muito mais saudável e produtiva.

Quando adotamos uma atitude de humildade diante da realidade, que é uma atitude de percebê-la, de se interessar por ela do jeito que ela é, onde não a deturpamos com nossas fantasias, principalmente as que fazemos a nosso respeito, alguns processos começam a acontecer com nossas emoções e sentimentos. Esse processo é natural, e tudo é uma questão de deixar a realidade agir em nós.

 

Conforme mostro em um esquema de opções em outro artigo, quando não interferimos na percepção da realidade através da nossa vontade,  nós automaticamente começamos a nos surpreender com ela. Se notarmos nas crianças, esse estado de surpresa se manifesta com muita facilidade. É lógico que é um estado imaturo de ver a vida, mas o fato é que felicidade e a surpresa se fazem presentes. E à medida que amadurecemos, vamos percebendo uma ordem, uma consistência na realidade, que nos instiga a perguntarmos se não existe  algo superior controlando-a. Então o questionamento da existência de Deus, mostra que a pessoa não deturpou demais sua sensibilidade. E é dessa percepção que surge a fé. Ela nada mais é do que a aceitação da visão dessa força criadora, que se transforma em uma referência, que nos obriga a encarar a vida sempre levando em conta essa percepção, que podemos chamar de Deus. Torna-se uma obrigação intelectual tentar compreender o mundo sempre levando-o em conta. A fé não fornece todas as respostas, mas nos indica o caminho da verdade.

Quando se aceita a fé como a bússola de suas atitudes, tudo o que fazemos é no sentido de nos aproximar Dele. Precisamos entender que o amor que nós sentimos, é um reflexo do amor divino. Não fomos nós que inventamos o amor, e ele existe naturalmente em nós, como reflexo do amor Dele. Mas podemos cultivá-lo e intensificá-lo com a busca da proximidade com Deus, nos levando a refleti-lo cada vez com maior intensidade esse amor. Então a nossa busca por Ele, intensifica o a nosso amor, nos levando a transbordá-lo como uma taça  que se enche demais.

Com esse sentimento, nós nos tornamos seres amorosos, e o distribuímos fartamente. Isso nos torna  dóceis, leves, felizes  e permite que enxerguemos Deus com mais facilidade, nos levando a um círculo virtuoso. E com essa atitude nos tornamos cada vez mais humanos. E o que é ser ‘ser humano’, senão procurar o bem de todos, a compaixão, a bondade e o amor pelo próximo. O que nos torna humanos é o amor de Deus que se reflete em nós.

Com esse amor transbordando em nosso interior, nós adotamos as seguintes atitudes:

- Temperança: que se traduz em atitudes de moderação nos desejos, atitude de frugalidade(come pouco), sobriedade, decoro, pureza, candura, inocência, honestidade, decência e pudor. Como salário,as pessoas que cultivam a temperança, que é o contrário da gula, tendem a ter uma saúde melhor, pois não a prejudicam com excessos.

- Generosidade: franqueza, desapego ao material, benevolência, misericórdia, magnanimidade.Como salário da pessoa generosa, a pessoa se torna corajosa, pois não se apega a nada, e não tem medo de perdê-las.

- busca da glória verdadeira: simples, busca a glória de Deus, discreto, recatado, modesto. Como salário da busca da verdadeira glória, a pessoa não sente a necessidade de ser admirado, e a proximidade com Deus é o suficiente, então a felicidade é mais fácil de ser atingida.

Podemos resumir  esquematicamente assim:

Uma  atitude de humildade, nos leva a ter uma admiração pela realidade. Como consequencia começamos a perceber a existência de um criador que dá cola e consistência a tudo e por isso começamos a ver Deus em toda a realidade que nos cerca. Isso seria a fé, que é o ato de acreditar em sua existência e instigar a própria vontade para buscá-lo tanto intelectualmente como em seus atos.  Começamos a buscar nos aproximar dele de todas as formas que conhecemos, pois percebemos o quanto isso é benéfico a nós. Com essa atitude nos enchemos de amor, e começamos a distribuir esse amor que sobra a tudo e a todos, o que nos torna humanos. Isso nos leva nos tornarmos  prestativos, construtores, benéficos a todos que nos cercam, que se manifestam nas três atitudes explicadas acima, que seriam temperança, generosidade  e modéstia.

Como consequencia nos  tornamos mais felizes, suportamos  o sofrimento com mais facilidade, somos mais otimistas, temos uma sensação de amparo constante, descobrimos o sentido para da vida, que é fundamental para vivermos bem, temos mais clareza de idéias e desenvolvemos o nosso trabalho com mais qualidade, o que nos leva a alcançar um nível social melhor com mais facilidade.

Esse é o poder de se dizer ‘sim’ à realidade, a Deus.

O PROBLEMA É QUE NÃO CONSEGUIMOS FICAR NO BEM O TEMPO TODO, E ACABAMOS DESTRUINDO MUITO DESSA POSTURA EM FAVOR DO BEM, COM O NOSSO ORGULHO.

Quando adotamos uma atitude de orgulho, que é uma recusa da estrutura da realidade, aquela vontade de mudá-la de acordo com a nossa fantasia, o processo que descrevi acima se torna inverso.

Então não aceitamos a  percepção imediata da realidade, e a deturpamos com as nossas fantasias e vontades, e isso atinge diretamente a nossa sensibilidade em relação a ela. E a partir daí surge um processo natural destrutivo que não temos como evitar.

Primeiro como não nos esforçamos para aceitar a percepção da ordem, da beleza, do amor que inundam a realidade, a nossa vontade é instigada para não crer. Nós simplesmente não aceitamos nada superior a nós, e não aceitamos que a vida nos induza a concluir outra coisa. Com isso rejeitamos qualquer noção de fé dentro de nós, levando o nosso raciocínio a rejeitar essa noção sob qualquer ângulo.

Com essa postura de falta de fé, a busca por Deus desaparece, esvaziando os nossos corações do seu amor e deixamos o ódio a Ele aparecer, e como consequencia desse ódio, criamos em nós uma atitude de inveja do criador. Inveja quer dizer não ver, é uma atitude de negação da visão do amor divino, de ódio direto ao criador e nós começamos sem perceber claramente, a rejeitar tudo o que nos dê uma visão de Deus. É uma atitude diametralmente oposta da aceitação da visão de Deus, que é a uma atitude de humildade, onde aceitamos entrar em contato com a visão do amor de Deus. Nós rejeitamos Deus, e qualquer coisa que nos lembre Dele. Vira uma luta inconsciente contra essa visão, nos levando a querer destruir todos os seus valores. É daí que surge a censura que as pessoas fazem das visões de seus erros. Admitir o erro, é o mesmo que admitir o certo, pois se existe o errado, é porque existe o certo, e no fundo é admitir que Deus existe, ato que a nossa atitude invejosa se recusa a aceitar. Por exemplo, não gostamos de admitir que estudar, trabalhar, honestidade, fidelidade são atitudes boas, e atacamos esses valores substituindo-os por seus inversos, como preguiça, desonestidade, desinteresse e infidelidade. Quem de nós já não foi preguiçoso, abandonou os estudos, já mentiu? Ninguém. Então rejeitamos esses valores que a realidade impõem a nós, e automaticamente os substituímos pelo  seu inverso. A inveja de Deus, junto com a teomania e o orgulho, são as atitudes mais importantes que devemos perceber em nós. A inveja de Deus, é uma atitude que surge em nosso interior, quando o recusamos através das nossas fantasias, que faz com que reajamos a qualquer coisa que nos dê uma visão do divino, por menor que seja. Isso gera a nossa censura, de nos ver como pequenos seres medíocres, pois se colocar diante dos erros, é se colocar diante Dele, e isso nos humilha intensamente. A melhora de uma atitude doentia se resume nisso, o de se forçar a se colocar diante de Deus, e aceitar sua condição de mediocridade existencial, diante de um universo infinito. Então quando brigamos com a visão dos nossos defeitos, estamos na verdade, brigando com a percepção da nossa pequenez diante do altíssimo.

Como lutamos ferozmente contra a visão da manifestação do divino em nossas vidas, a impressão que aparece para nós, é que o único Deus que existe somos nós mesmos. E essa atitude se chama de teomania, que é a mania de se achar e agir como se fosse o próprio Deus. E nós começamos a nos achar dignos de toda a atenção do mundo, de todo os prazeres do mundo, pois não enxergamos mais defeitos em nós, nos levando a uma imagem de auto perfeição. Por isso, as pessoas explodem quando percebem os próprios problemas, mas não é uma censura direta aos erros, mas é uma censura direta  à visão de Deus. Por isso perceber os erros através da análise tem um efeito muito limitado, pois o problema central, é esse afastamento do divino, e só pode ser corrigido através de uma reaproximação com Deus, que só a religião pode suprir. Ver através da análise e se corrigir através da religião. Quanto mais nos aproximamos de Deus, menor e mais defeituoso nos percebemos, e somente essa é a verdadeira consciência. A análise nos fornece o caminho,  mostrando a nossa  situação espiritual, deixando-nos cientes dos nossos problemas, mas somente a nossa aproximação com Deus, nos dá a verdadeira dimensão da nossa pequenez. Daí já podemos concluir facilmente, que a pessoa que não suporta a ideia de Deus, é uma pessoa que vive um delírio de grandeza. Toda pessoa que se acha muito boa, compreensiva, bondosa, é uma pessoa completamente afastada de Deus.

Quando adotamos essas atitudes, nos tornamos destruidores, e mergulhamos nas neuroses, psicoses, esquizofrenias, angústias, fobias e até algumas doenças físicas, pois entramos em uma luta feroz contra a realidade que nos forma.Nos tornamos revoltados, a realidade não nos satisfaz, achamos que merecemos muito mais do que a vida está dando, sofremos e nos iramos com facilidade, sentimos um vazio interior muito grande, não percebemos o sentido da vida, sentimos angústia, fobias, depressão, nos emburrecemos, perdemos a qualidade no trabalho, criamos dificuldades para melhorarmos economicamente e sabotamos a nossa vida com frequencia e sofremos com a acídia. E essa é a loucura humana.

As três atitudes que podemos destacar, quando adotamos o orgulho como base da nossa atitude, são:

- as fixadas na fase oral:  são pessoas que fantasiam muito com os prazeres do corpo, como a comida e o sexo. Como valorizam demais os prazeres corporais, normalmente caem em uma atitude de luxúria, e são pessoas dadas à preguiça, fofoca, têm uma familiaridade excessiva com pessoas que não conhecem, são pessoas jocosas, glutonas, e colocam o próprio prazer acima de tudo. Têm a tendencia a adoecerem com mais facilidade, pois a pessoa obesa ou glutona, tem a tendencia a viver menos. Exageram nas reações emocionas e procuram se colocar em situações de auto humilhação, ou como se diz popularmente ‘gordo adora fazer gordice’. Nem todos fixados nessa fase são obesos, mas têm características semelhantes. Têm a tendência à depressão, pois a fantasia que faz de si mesmo é tão grandiosa, que quando é obrigado a encarar a realidade, se desilude com muita facilidade. O gordo não é jocoso para ser aceito socialmente como se diz, mas  na verdade, ele é jocoso para disfarçar sua ira e desprezo pelo próximo. Se comprazem em provocar sofrimento em si mesmo, e é agressivo de forma dissimulada e as principais formas de agressão são a jocosidade e a sabotagem. São apaixonados por suas fantasias, pois ela proporciona uma proximidade enorme com as sensações do corpo (por exemplo, se pensamos em sexo, automaticamente o nosso corpo reage com uma sensação corporal). Não conseguem se perdoar, pois têm uma fantasia exacerbada de si mesmos, e ficam remoendo fatos do passado que nunca esquecem. Quando  comparam a fantasia que fazem de si mesmos, com a realidade, tendem a se desvalorizar, abaixando sua auto estima. Mas ela vem diretamente da fantasia grandiosa que fazem de si mesmos. Buscam freneticamente os prazeres do corpo, como uma forma de estímulo à sua fantasia de grandeza, pois através dos agrados constantes que fazem a si mesmo através da comida e do sexo, procuram confirmar a perfeição da fantasia que fazem. Por isso, detestam o confronto direto com as outras pessoas, e são agressivos de forma dissimulada.

O povo brasileiro tem claramente uma tendência a essa fase oral, pois fala muito, come muito, bebe muito, disfarça sua ira com a jocosidade, com a piada maldosa, pouco se importando com o sentimento dos outros,  tem a tendência à idealização de si mesmo e são sabotadores de tudo o que é bom. Aqui, toda a iniciativa positiva é logo atacada. É um povo sexualizado, imaturo, que faz questão da aprovação dos outros. Não leva o trabalho muito a sério, manifestando uma atitude infantilizada em seu ambiente de trabalho. No Brasil,   mostrar é mais importante do que ser, por isso, a indústria de diploma aqui vai de vento em popa. Sente demais e raciocina de menos,  é pouco profundo. Por isso o nosso país tem pouca chances de se tornar um país líder no mundo. Têm três coisas que o brasileiro adora, que são: palhaçada(que mostra falta de compromisso com a realidade), sacanagem(que mostra uma atitude excessivamente sexualizada), e ele mesmo(que é o egoísmo). Von Mises, economista austríaco, disse que a esquerda capta a necessidade de proteção e dependência das pessoas, que é uma atitude infantilizada e dependente das pessoas. Como o brasileiro é fixado nessa fase, ficou fácil impor o marxismo em cima do nosso povo. Por isso, a ideia socialista se espalhou com tanta facilidade no nosso país. O povo gosta da ideia de um governante que se torne o pai ou mãe dos pobres. Tivemos Getúlio Vargas, o pais dos pobres, e agora temos a Mãe dos pobres com a Dilma.

O Brasil tem a tendencia a aprovar leis draconianas que depois ninguém respeita. Isso acontece  justamente pela característica oral do seu povo. Somos formados por pessoas que hiper fantasiam sobre si mesmos, e que o próximo, é insignificante para ele. Então surge um sentimento de desprezo pelo outro de forma muito acentuada, e toda vez que uma lei draconiana é aprovada aqui, sentimos um prazer enorme em ver o outro sendo punido por ela. Mas esquecem que essa lei pode ser voltada contra si, e quando essa lei atinge todos de forma indiscriminada, aí ninguém quer mais saber dela.

- as fixadas na fase anal: São pessoas avarentas, acumuladoras de bens, são insaciáveis, tem amor ao prazer, à vanglória, e duvidam da providência divina. Por isso têm muito medo de perderem tudo, tornando-as paranóicas, com mania de proteção. Têm a tendencia a sentirem medo, pois não confiam no futuro, e acham que todos só querem seus pertences. É  como o povo americano é apresentado nos filmes, povo que eu não conheço de perto, confesso. Essa fase pode ser considerada uma mistura das fases  oral e  genital. Ela aglutina os defeitos das outras duas. São pessoas que desenvolvem o desejo de serem admiradas pelas suas conquistas e dotes como os narcísicos e  têm amor aos prazeres como os orais. Têm a tendência a desenvolver uma personalidade paranoica.

Pessoas fixadas nessa fase, têm a tendência a serem mais práticas, pois para se ganhar dinheiro precisam  saber o que fazem. Perdem com facilidade a noção da moral, pois têm como meta somente o dinheiro, por isso Cristo afirmava que era impossível servir a Ele e à riqueza ao mesmo tempo. São agressivos, e se comprazem ao provocar sofrimento no próximo. Projetam seus problemas nos outros com muita facilidade, e acabam se sentindo agredidos, mas são eles que agridem. Nem toda pessoa fixada nessa fase, tem uma personalidade paranoica, pode ser depressiva, mas é bem mais raro.

- as fixadas na fase genital: Podem ser consideradas o oposto dos fixados na fase oral.  São narcisistas, buscam a glória vazia em tudo o que fazem, como ser admiradas pela roupa, posses, títulos, cultura, inteligência, desenvolvem uma sexualidade narcísica  Estão sempre representando, parecem artistas que representam o seu papel de forma permanente, e se sentem muito vazias espiritualmente. São pessoas que se distanciam de seus sentimentos, vêem as pessoas que o cercam como coisas ou objetos. Podem desenvolver uma personalidade extremamente cruel, se sentem os próprios deuses aqui na Terra, e quando esse narcisismo absoluto se associa ao poder, aparecem os grandes líderes cruéis que já conhecemos em nossa história. Podemos citar os césares da antiga Roma, que se julgavam deuses e mandavam matar qualquer um que duvidasse disso, ou mesmo Hitler. Podemos dizer que alguns povos do Norte da Europa, são mais próximos dessa fase. Vivem uma fantasia onde acham que todos devem admirá-lo, que os afastam do sentimento, e parecem que vivem longe da realidade. Se tornam frios de sentimento.

Podem também cair em uma atitude de rejeição aos próprios corpos, achando-os indignos de tanta maravilha, segundo a fantasia deles. Se acham tão maravilhosos, tão perfeitos, tão admiráveis, e começam a achar que o seu corpo não faz jus à tanta divindade. Poderíamos citar a anorexia, que é uma tentativa de destruição do próprio corpo.

Os amores impossíveis e destrutivos acontecem quando um oral, que é apaixonado por suas fantasias, se apaixona por uma pessoa genital, que adora ser admirada por outros, sem se envolver.  O oral vive sonhando com a pessoa amada mas feliz por nunca alcançá-la, pois podem viver suas fantasias estimulantes e o narcísico fica se iludindo com o admirador incondicional. Na verdade os dois não se importam um com o outro, mas gostam de viver suas fantasias, cada um a seu modo.

NÓS ADOTAMOS ALGUNS ASPECTOS DE CADA FASE, MAS NÃO NECESSARIAMENTE TODOS. APESAR DE TERMOS ATITUDES DAS TRÊS FASES, SEMPRE TEM UMA QUE NOS DOMINA COM MAIS FACILIDADE.

Essas atitudes internas, que adotamos diante de Deus, se materializam em nossas vidas em brigas, divórcios, doenças, fobias, angústias, falências, medo, pobreza, falta de progresso na carreira, traições, recessões, ditaduras, totalitarismo. A maioria dos aspectos negativos que temos nas nossas vidas e na nossa sociedade, sempre começam com a nossa negação do bem.

O importante é perceber que em alguns aspectos nós acatamos a realidade, em outros, nós a rejeitamos e temos a pretensão de reconstruí-la.  O objetivo da psicanálise cristã, é ensinar a pessoa a identificar esse processo espiritual que todos nós estamos envolvidos, e ensiná-la a controlá-lo. O que pode melhorar a nossa atitude em relação a Deus, e nos fazer sentir melhor, passa por três etapas:

- Primeiro é estudar a fundo como funciona esses processos naturais que ocorrem em nós, e perceber claramente o que acontece quando optamos por uma ou outra atitude, como estou escrevendo nesse site. Por isso para melhorar a sua vida, você tem que estudar todos os artigos escritos aqui, ler os livros indicados e tentar entender bem todo o processo que nos leva ao mal ou ao bem.

- Depois, é se perceber, aprender sobre si mesmo, e tomar ciência das próprias atitudes, que é a função da Psicanálise Cristã.

O SER HUMANO, NÃO CONSEGUE SE ENXERGAR.  Aqui entra a função do analista cristã, que NÃO é a de rezar com seu paciente, mas mostrar suas mazelas espirituais. O grande problema das análises tradicionais, é que elas tiraram Deus da história, e quando vão discutir com seus pacientes os problemas deles, acabam batendo papo com eles, entrando em uma espécie de ‘ papo de comadre’, inclusive falando o que eles devem fazer ou não. Quer dizer, ficam discutindo com os pacientes seu dia a dia, e a atitude espiritual inconscientizada pelo paciente de rejeição ao divino que o está levando ao sofrimento, nunca é abordada. Resumindo, analisam por anos a consequencia dos problemas espirituais, e os problemas espirituais em si, nunca são abordado. Por isso, não levam a nada, e só enganam as pessoas, levando-as a pensar que estão se tratando. Todos os nossos problemas se resumem nisso, o nosso problema com Deus.

- E por último, lutar contra as nossas atitudes doentias, fazendo uma busca de uma aproximação real com Deus.

O objetivo aqui, é levar a pessoa a uma ação positiva, de real aproximação de Deus, através de aulas e ações que levem a pessoa a agir no bem. Existem mil ações que podem ajudar as pessoas a agirem no bem, mas só agir sem buscar algo maior, é meia medida. Aqui nós temos que entender que somos cocriadores junto com Deus, e a busca por Deus se faz com 90% de ação no bem, e 10% com a busca dentro da religião. Mas se esses 90%, não se completarem com os 10%, se torna uma ação incompleta. É como um médico, que descobre a cura de um câncer. Se não existisse aquela cura, a única coisa que nos restaria seria rezar por um milagre, mas como existe, basta ir no médico e ser curado. É a ação humana completando a obra do criador, pois se Ele não permitisse que a cura existisse, ela não existiria. Por exemplo, ir nos Alcoólicos Anônimos ajuda a pessoa a parar, mas isso é um controle externo que aplicamos na pessoa, como se fosse um empurrão na direção do bem. Esse tratamento para se tornar integral, tem que vir acompanhado por um complemento da espiritualidade. Sem ela, a busca pelo certo desparece rapidamente, e não há uma mudança efetiva de atitude. O ser humano tem a necessidade de uma religião, e do contato com o divino. Podemos perceber isso facilmente, quando assistimos os religiosos serem massacrados nos países comunistas, e a religião continuou forte como nunca. Ou se formos em uma tribo lá no meio do mato, encontraremos algum tipo de religião, mesmo que primitiva. E isso é fácil de entender, pois o que nos leva à paz, à felicidade, ao equilíbrio, é o nosso contato com o divino.

O processo é fácil de se entender. A religião é a maior bondade que você pode praticar, e a prática do bem, é a maior oração que você pode fazer. Cada um complementa o outro, e sem um o outro perde o sentido de existir. Então quando rezamos, por exemplo, estamos praticando o maior ato de bondade que um ser humano pode realizar aqui na Terra, e quando estamos fazendo o bem ao próximo, estamos praticando a maior oração que podemos realizar. Um elemento se complementa no outro. Então quando ajudamos o paciente, mostrando para ele os seus problemas, estamos complementando o trabalho de Deus, como cocriadores, mas nunca poderemos substituí-lo. Por isso, a psicanálise cristã, enxerga a análise como um degrau para a sanidade, mas o ápice só se atinge através da religião. Na nossa vida, só nos sentimos bem quando; ou praticamos a nossa religião ou  agimos no bem. Quando paramos, automaticamente nos sentimos mal. Por isso, as nossas férias acabam se tornando tão cansativas, pois automaticamente descambamos para um sensorialismo com bebida, sexo, fantasias e preguiça. Viver é a busca por Deus e ação no bem.

 

E aqui vemos, que a Psicanálise Cristã coloca a análise individual no seu devido lugar, pois se considera um elo no caminho da melhora do paciente, mas nunca se coloca como o santo graal a a ser alcançado, se colocando como o objetivo final, como fazem QUASE TODAS AS OUTRAS CORRENTES PSICANALÍTICAS.

Para exemplificar, antes de conhecer todo o processo psíquico que envolve uma pessoa, eu sempre mostrava para as pessoas que elas deviam ter uma atitude mais afetiva em sua vida, para poderem se dar melhor. Elas ficavam cientes disso, mas o fato de perceberem sua falta, não a impeliam naturalmente para uma atitude melhor. Ninguém ama mais só por que quer. O amor é consequencia de uma atitude anterior. E o que acontecia, é que as pessoas ciente de sua falta de amor por outros seres humanos, e não conseguindo aumentar a quantidade de amor em seu interior, criavam uma hipocrisia social exacerbada, aumentando seus maneirismos com os outros, no afã de parecerem mais afetiva e interessadas pelo seu semelhante. Não é preciso dizer, que isso só aumentava a angústia das pessoas, pois começavam a viver um papel, um personagem que fingia se importar com os outros.

Então só com isso, percebemos claramente que somente ficar ciente dos próprios problemas NÃO nos leva necessariamente para uma atitude melhor. E como expliquei anteriormente, se perceber, é somente um dos pontos para a cura. Por isso, sem uma aproximação com Deus, coisa impossível de se fazer em um consultório de psicanálise, a melhora de atitude se torna muito pequena. A pessoa para aumentar o seu afeto, deve buscar essa aproximação com Deus, através de um exercício religioso honesto e com a prática no bem, fazendo o seu amor realmente aumentar, e aí sim,  vai poder derramar o seu amor para o próximo, em uma atitude honesta.

Por isso o nome psicanálise cristã. A religião cristã é uma das poucas que apresenta todos os degraus para se atingir essa proximidade com Deus, que irá nos fornecer uma exata consciência da nossa situação diante da realidade, criando as condições necessárias para nos conectar com toda a realidade que nos cerca. Isso se chama sanidade. Na religião cristã temos uma escada para o amor que temos de seguir:

- a oração: que é uma esforço que fazemos para nos enxergarmos, e tudo o que nos cerca, com o olhar de Deus. Ela nos ajuda a entrar a entrar em contato com o amor de Deus.

- A missa: onde vamos vivenciar esse amor divino.

- A confissão: onde buscamos o arrependimento dos nossos atos, mostrando que aceitamos a superioridade da vontade divina sobre a nossa.

- Penitência: onde enfrentamos a nossa gula com jejum, a nossa avareza com a caridade e a nossa vaidade com oração a Deus.

- A eucaristia: onde entramos em contato direto com o amor divino, nos propiciando uma consciência maior da vida e de nós mesmos, nos ajudando a evitar que tomemos atitudes erradas.

- Nossa Senhora: É o ser mais próximo de Deus, que traz dentro de si o mesmo amor divino. Então quando nos aproximamos Dela, nos aproximamos o máximo possível do amor divino. Ela é o último degrau que podemos atingir na escala da sanidade aqui na Terra. Se aproximar Dela, é se aproximar de Deus, é buscar a consciência da nossa pequenez, é buscar a consciência de todas as nossas falhas, é se conectar na realidade no grau máximo permitido por Deus. Ela faz parte da nossa psiquê, e não existe uma grande sanidade, sem a sua presença. Mas para se chagar a Ela, é preciso passar por todos os degraus colocados anteriormente. Precisamos orar, ir a missa, confessar, comungar e só por último devemos nos colocar diante Dela. Se não fizermos isso, será sempre um contato que deixa a desejar, e Ela não pode nos ajudar muito se não o fizermos. Ela faz parte do caminho até Deus. E o caminho até Ele, é o caminho da nossa sanidade. Ela disse em Anguera:

” Eu os levarei até o mais alto grau de santidade’ – Isso confirma o que eu escrevi acima. Ninguém atinge Deus se não for através dessa graduação de amor, que vamos exercitando ao longo da nossa vida. E Ela é o grau máximo. Não existe santidade sem Ela.  E esse é o problema das religiões que abandonaram esses exercícios no amor, como a missa, a comunhão e o amor Dela. Ela não é um obstáculo a Deus inventado pelos cristãos, mas é a única forma de se chagar até Ele da forma correta. É a única forma de atingirmos uma grande iluminação interior.

Meu filho de 12 anos me perguntou: – Por que o Sr. afirma que na busca pelo divino, através da religião, a pessoa fica mais feliz, inteligente, vive em maior paz,  se eu conheço pessoas que são felizes, e inteligentes, e não buscam a religião? Essa é a confusão que as pessoas fazem, pois não percebem que nascemos com uma determinada capacidade de perceber Deus, e nos é natural essa percepção. Se não fosse assim, não conseguiríamos buscá-lo. Então, nascemos com uma certa capacidade de amar, de refletir o amor divino, e ao longo da nossa vida, podemos cultivar esse amor ou destruí-lo. É esse o desafio que Deus nos faz, pedindo para que nos tornemos boas árvores a partir dos dons que Ele nos deu. Isso quer dizer na prática que,  se uma pessoa vai a um consultório e percebe alguns defeitos em si mesmo, pode melhorar sem buscar diretamente a Deus, através da religião, mas baseado na graça que ela já recebeu. Mas quem pratica a psicanálise séria,rapidamente  percebe a  limitação de ação do paciente e do analista para resolver os problemas, e logo precisa de uma ajuda superior. O que se percebe, é que a pessoa que não tem essa busca pela verdade, acaba se afundando em seus problemas, pois não têm algo que o guie para o bem, destruindo o seu amor inato.

Eu sei que 99% dos psicanalistas vão odiar essa postura que eu estou colocando nesse texto, pois normalmente, os nossos analistas são de uma vaidade impressionante, e colocam em si a melhora dos seus pacientes. E é por isso mesmo que eu acredito na Psicanálise Cristã, pois tira a melhora das pessoas das mãos de seres medíocres, que seriam os analistas e psicólogos, para colocar a vida de seus pacientes nas mãos das pessoas que realmente sofrem com os problemas e nas mãos de Deus..

Vou também explicar que existe muita experimentação nessa área, e as citarei o máximo possível, para mostrar para as pessoas, que as experiências feitas em laboratório estudam muitas coisas, mas cabe a nós dar um significado a elas, como faz a psicologia.

Só para terminar, muitas pessoas afirmam que frequentam as suas religiões, mas não conseguem melhorar. E isso realmente acontece, pois não percebem todo o processo para se melhorar, onde é preciso passar pelas três etapas para poderem realmente mudar de atitude. Vão na igreja, mas vão de corpo presente, se achando incríveis santos, prontos para paraíso, pois não enxergam Deus, não percebem as próprias mazelas, decadência, falta de boa vontade com Deus. Por isso, para elas, a igreja se torna um ponto a mais na sua inveja de Deus, onde tentam mostrar para si mesmas que são pessoas do bem, mas o máximo que conseguem é se enganarem, não conseguindo se mover em sua espiritualidade. Vão lá para se endeusarem, e para deixarem de ver Deus, fortalecendo a sua inveja do divino.

Hoje, a nossa religião está morna, meio social, deturpada pela Teologia da Libertação faltando uma aproximação real da pessoa que vai à igreja e dos padres que podiam dar uma orientação de perto para elas. Mas os próprios padres estão deficientes, e não tem mais consciência dos processos, que levam as pessoas a se moverem para mais perto de Deus. Se isso ocorresse, e esse conhecimento acima fizesse parte da cultura diária,  a Psicanálise Cristã provavelmente seria desnecessária.

E a última questão que vou escrever, é porque eu utilizo a religião cristã como base. Não é uma atitude de fanatismo, mas uma atitude de muito estudo e pesquisa, o que me levou a concluir que as pessoas mais inteligentes e esclarecidas passaram por ela, e  construíram uma religião baseada na inteligência e na honestidade. Quem não a conhece direito, vai tentar denegri-la com mil argumentos, mas a sua estrutura teológica, filosófica e científica a torna imbatível. E o outro motivo, são os resultados que vemos nas pessoas, dos frutos se conhece a árvore, e vemos a religião católica cristã, levando bilhões de pessoas a uma atitude melhor e salvando suas vidas. Hoje, a nossa civilização está se consumindo e chegando ao seu fim, exatamente pelo fato de tê-la expulsado da mente das pessoas, e o resultado disso, é que o homem está rumando à barbárie novamente, e que se esfacelará em guerras e mais guerras, inclusive com a última guerra mundial atômica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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