Por que odiamos ver os próprios erros.

Nada é mais difícil nessa vida, do que admitir os próprios erros . Essa atitude de humildade que somos obrigados a ter, é uma afronta à nossa vaidade. Quando entramos em contato com eles, somos forçados a enfrentar  uma humilhação extrema, pois ao perceber o mal que nos assola, automaticamente admitimos que ele está inserido em um bem maior, e isso nos leva a notar o bem absoluto que é o próprio Deus. Então perceber os próprios defeitos é se humilhar diante de Deus. E para nos perdoar,  temos que primeiro admitir o nosso própria ódio, o qual voltamos contra Ele e a tudo o que Ele representa. Somos obrigados a ver nossa insignificância como seres  humanos e com isso o nosso orgulho arde e tira o nosso chão. Já vi reações das mais diversas quando alguém foi humilhado pela visão dos próprios erros, como explosão de gritos, choros convulsivos, depressão e  até uma possessão. É interessante ver como isso nos machuca.

As pessoas não têm a mínima ideia de como elas são na realidade. Se você perguntar a uma pessoa como ela se vê, se prepare, porque você vai se sentir  no meio de uma roda de pescadores dos mais mentirosos. Nós simplesmente mentimos para nós mesmos o tempo todo, e não nos percebemos. Nós temos uma incrível capacidade de acreditar em mentiras, que chega a dar dó do ser humano em geral. Isso é fácil de verificar. Basta ver as propagandas de cigarros e carros, e ver eles relacionando-os com saúde e status, e vemos como somos pouco fiéis à realidade.

Para se ajudar uma pessoa, temos que falar a verdade para elas, pois essa percepção coloca-a em contato com a realidade e isso a acalma. Posso dar um exemplo, como uma pessoa que chegou desesperada até mim, afirmando que estava com crise de pânico.

Perguntei a ela como que se dava o processo. – Ela me respondeu que as vezes estava na fila de um supermercado, e começava a ter vários pensamentos ruins que a deixavam desesperadas, como atacar o próximo, gritar, derrubar alguma coisa, e isso criava desespero nela.

Dá dó ver como as pessoas abandonam a própria psique, e depois não sabem porque ela se comporta dessa forma. O preço da sanidade, é o esforço constante que temos que fazer em direção ao bem. Eu disse: – Porque você busca esses pensamentos maus e destrutivos dentro de si?

Na mesma hora ela parou de falar. -Mas como –  ela respondeu – eles aparecem sem eu pedir em minha cabeça.

- Ledo engano – eu retruquei. – Tem alguém pondo esses pensamentos em sua cabeça, ou é você que os coloca lá? –  As pessoas não sabem disso, mas quando percebem que são as causadoras dos seus sofrimentos, elas se acalmam. -Você gosta de ficar se apavorando o tempo todo com mentiras inventadas por você mesmo? As pessoas não entendem que não é a vontade direta dela que coloca os pensamentos ruins na sua cabeça, mas é a vontade que foi modelada por ela mesma ao longo dos anos, para agir desse modo. Reparem que eu falei  que ela buscava diretamente esses pensamentos, para ela parar e refletir um pouco, é só uma forma de abordar a pessoa. Esses pensamentos descontrolados surgem de uma vontade descontrolada, é mais uma consequencia de uma atitude anterior.

Ela levou um susto com o que eu falei e começou a se acalmar um pouco. Até aqui, eu só mostrei um pouco da verdade para ela, mas não é o suficiente para ela melhorar. É só um paliativo.

- Quer dizer, que eu fico inventando essas mentiras, para me prejudicar? – Ela perguntou.

- Com certeza, você tira prazer do mal que provoca em si mesmo. Mas temos que nos aprofundar um pouquinho mais sobre o assunto. Porque você faz isso?

- Não tenho a menor ideia. – Ela respondeu.

- Você concorda que isso é um processo de auto destruição? Você está usando a sua energia natural, em uma atitude destrutiva, em vez de usá-la de uma forma construtiva?

- É o senhor tem razão. – disse. – Não sei porque faço isso.

- O que você pensa sobre si mesmo? – Perguntei.

- Eu me acho uma pessoa mesquinha, egoísta, horrorosa…

- Mas e você como criatura criada, diante de Deus?

- Eu me vejo um ser humano que foi criado para o amor, para a bondade e para fazer o bem.

- E não é isso que você  destrói, quando age diferente disso? – Perguntei.

- Então quando eu minto para mim, tirando a minha paz, eu estou destruindo a minha finalidade junto com a minha paz e felicidade – exclamou.

- É quase isso. Na verdade esse impulso destrutivo surge em você como consequencia de uma atitude anterior de deturpação da vontade. Nós não percebemos essa atitude em nosso dia a dia, mas assim que vamos nos afastando do criador,  o nosso coração se enche de ódio. O ódio é a ausência do amor, criado pela nossa rejeição a Deus. Mas esse ódio em primeiro lugar, é contra Deus. Ele instiga o nosso ser a agir contra Deus. Voltamos a nossa energia interna natural, aquela que nasce com a gente, e a colocamos a serviço da destruição, mas voltada contra Deus. Não suportamos mais Deus, e não queremos mais contato com Ele.  Isso é uma maldição, pois como não conseguimos atingir Deus, acabamos nos destruindo com essa atitude. Tudo isso é um processo que não temos como escapar, quando nos afastamos de Deus e do seu amor, pois ou amamos ou odiamos. Não há meio termo. E esses pensamentos ruins e destrutivos, é uma consequencia desse afastamento do divino que você fez em sua vida. É uma consequencia de uma atitude anterior, de não cultuar o amor real em sua vida.

- Ao longo dos anos, criamos uma atitude de inveja de Deus, e  vamos nos educando a identificar e atacar todos os valores bons que encontramos pela frente, até nos tornarmos o próprio mal aqui na Terra. No seu caso, você fez isso, e não percebe que está usando a sua energia para destruir a sua vida, a sua paz interior, e assim por diante.

- Só saber disso, não é o suficiente. – continuei – Você deformou sua vontade ao longo dos anos, e usou a sua energia natural, contra a bem, ou contra Deus e seus valores. E a única forma de concertar a sua vontade ao bem novamente, é através da religião. Religião vem de religare, ou religar. A análise não tem esse alcance. O máximo que ela pode fazer por você, é te mostrar o caminho. Eu já mostrei para você o seu problema, o porquê de você agir desse jeito, mas se quiser realmente resolver esse e outros problemas que você tem, deve começar a modelar a sua vontade na base, e buscar uma religião séria em que possa criar atitudes devocionais, onde você poderá modelar a sua vontade de acordo com a vontade divina. E só assim, não tem outro jeito, aos poucos você vai instigando a sua vontade no sentido do bem, e esses ataque de pânico vão desaparecendo.

- Mas não tem nada que eu possa fazer, para ir me controlando por enquanto? – Perguntou.

- Lógico.  A primeira lição é agir no bem, tentando sempre fazer tudo com o máximo de amor possível. É a atitude mais importante que você deve adotar em sua vida. O fato de você agir durante várias horas por dia, tentando se conectar ao amor divino, ajuda e muito a controlar seu ódio, mas isso não é o suficiente. Você precisa educar sua vontade através da devoção SINCERA. Ela não é somente atos de gente fanática. Existe uma lógica por trás dessas atitudes, que te levarão a ter uma vida espiritual mais equilibrada.

É lógico que esse é um diálogo idealizado, mas o objetivo é mostrar aonde está o erro das pessoas, como a análise é limitada e ficar mostrando os problemas para as pessoas, sem mostrar como nos tornar mais parecidos com Cristo, não adianta nada.

Mas por que será que a devoção a Deus educa a nossa vontade? A resposta é bem simples. Porque o amor não se origina em nós, mas no ser criador. É  lá que o amor gerado, e nós simplesmente o refletimos de acordo com a nossa atitude. Quando praticamos a devoção verdadeira, nos aproximamos de Deus, seja com os sacramentos ou seja com a ação no bem. Ambas se complementam. E ao nos aproximar da fonte suprema de amor, ele começa a se manifestar com mais intensidade em nossos corações, e automaticamente começamos a ligar a nossa vontade com esse amor que começa a transbordar em nosso peitos. Então aquela maldade que o seu amigo cometeu contra você, a qual você não consegue perdoar, começa a ficar leve, e você sente até a necessidade de ajudá-lo. Aqueles terríveis pecados que você praticou no passado, todos eles começam a se tornar mais leves, e você passa a conviver com eles com muita facilidade. Aquela preguiça que dominava o seu ser, começa a ir embora, porque percebe que agir é se aproximar do amor o que promove uma alívio interior. Aquele desejo de ser o maior de todos na sua profissão, se esvanece, e vê que buscar o amor na ação é mais importante do que buscar o sucesso. Começa a perceber o sentido que a sua vida tem perante a realidade, e assim por diante…

Assim, nós podemos perceber claramente, que a solução dos nossos problemas está no amor, mas o verdadeiro amor,  só existe Nele, e isso nos equilibra e nos faz viver relativamente bem. Devemos amar a Deus, não somente para ser salvo depois da morte, mas para podermos exercer a vida com equilíbrio e leveza. Sem Ele, enlouquecemos e sofremos barbaramente já nessa vida.

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