Queremos ser felizes através da nossa ilusão de divindade.

Quando nós adotamos a atitude de inveja do criador, nós deixamos de enxergá-lo. E isso bloqueia a visão dos nossos erros. Só conseguimos perceber as nossas falhas, quando nos aproximamos de Deus. Como nos recusamos a nos aproximar do divino, por falta de humildade, nós começamos a nos encher de vaidade. Vaidade pode ser definida como a falta de proximidade com Deus. Nós todos temos a tendência de nos elogiar com frequencia, e como não percebemos mais a nossa pequenez, começamos a acreditar neles. Vamos criando uma imagem de auto perfeição, até um ponto que ela nos convence definitivamente, de que somos muito melhores do que a realidade permite. Isso nos leva a querer montar uma vida, onde tudo confirme essa visão de grandiosidade, e tudo que a destrói nos irrita profundamente. Essa é a nossa neurose, em rejeitar a realidade e querer viver um mundo de ilusão, onde nós somos os próprios deuses. Queremos virar grandes empresários, cientistas, beleza infinita,bilionários, mas não percebemos que a felicidade real está dentro de nós agora, basta agir de acordo com o amor de Deus.

A vaidade inevitavelmente gera uma atitude de teomania em nós. Ou seja, a vaidade nos leva a acreditar que somos os próprios deuses aqui na Terra, e a partir dela, queremos que a vida confirme essa impressão que só nós vemos. Teomania é isso, é agir como se fôssemos um Deus. Então começamos a viver a vida, para criar um reino particular, onde tudo gravite em torno de nós. Com essa ideia inconsciente habitando a nossa mente, nos colocamos à obra, em uma tentativa frustrada de tentar chegar à felicidade. Nós queremos na verdade, uma felicidade que tem que advir da nossa percepção de divindade. Ou seja, queremos ser felizes, ao sermos reconhecidos como deuses e ao colocarmos o universo aos nossos serviços.Achamos a humildade algo ofensivo a nós.  Se fosse um busca genuína pela felicidade, nós perceberíamos que essa atitude de vaidade extrema, só traz destruição e tristeza e mudaríamos de atitude. Mas essa é a maldição que recai sobre os nossos ombros, quando adotamos a atitude de orgulho diante de Deus. Queremos ser felizes, tomando o lugar de Deus (só na nossa imaginação) e como isso é impossível de ser feito, nos condenamos à eterna busca do impossível. Isso nos leva cada vez em direção ao inferno e criamos a ilusão de que não somos felizes, porque não chegamos lá. E cada vez mais, vamos nos afundo nessa busca impossível, na destruição, no ódio, na angústia, até que não sobre mais nada em nós, que não seja tristeza, choro e ranger de dentes.

Podemos ter três formas de satisfazer nossa vontade de sermos deuses. A oral, a anal e a fálica, que não tem nada a ver com as análises freudianas. A fase oral, que é a mais básica, instintiva e dependente, é ligada às sensações que o corpo dá ao se alimentar; a fase anal que é a fase de retenção das fezes, onde a criança começa a ter uma distinção do meu e do teu; e a fálica que é a descoberta dos órgãos genitais,  sem erotismo, onde a criança percebe a diferença entre os sexos, que mais tarde irá se completar na fase genital.

O mais importante de tudo, é notar que quando passamos a não enxergar mais a Deus, começamos a nos enxergar como deuses e tentamos criar um sistema que confirme essa ilusão de divindade, que criamos sobre nós mesmos. Quem se fixa na fase oral, faz do centro da sua vida ela própria, e tenta se agradar o tempo todo com comida por exemplo, não suporta rusgas em sua vida e se sente muito mal quando é obrigado a presenciar conflitos, quer se sentir o tempo todo protegido, cria dependência com muita facilidade, e vive em uma fantasia de perfeição, onde o mundo é o que ele imagina sobre ele. Na fixação anal, a pessoa quer criar seu reino através de acúmulo de poder e dinheiro e na fase fálico/genital a pessoa quer criar o seu reino na admiração dos outros, seja por sua beleza, inteligência, força, poder. Então a busca das nossas fixações, são uma busca pela felicidade falsa, aquela que achamos que vamos conseguir quando virarmos deuses. A neurose, vem justamente dessa nossa atitude de querer confirmar o tempo todo a nossa fantasia, e toda vez que a vida insiste em nos mostrar o contrário, mostrando a nossa culpa ou falha diante da realidade, nos enfurecemos, entristecemos, criamos manias, fobias, angustia. Apesar de eu colocar todas as nossas ações com causa e efeito, temos que perceber que é só uma forma didática de esclarecer a questão; é óbvio que na nossa psique, todas essas reações são misturadas e complexas. Culpa, angústia, raiva, tristeza  acontecem simultaneamente quando recusamos a realidade.

A FASE ORAL : Quando nascemos precisamos que um outro ser humano cuide de nós, e que nos alimente por um período. Nessa fase a única arma que temos é o choro, que ocorre quando estamos com fome ou incomodado por alguma coisa. Nós nascemos com a vontade de nos alimentar, e nos sentirmos seguros nos braços dos pais. Gostamos da sensação de proteção, e ser satisfeitos toda vez que temos alguma necessidade. Mas tem adultos que criam uma continuidade nessa atitude, e guardam dentro se si, de forma exagerada essa necessidade de serem protegidos e agradados a vida toda. Por isso se chama de fixação na fase oral, pois não querem abandonar essa atitude infantil natural. Eles vêem nelas, uma forma de se preocupar o tempo todo consigo mesmo, onde o mundo se resume em satisfazer as próprias vontades corporais.  E com o tempo se cria uma fixação da pessoa nessas sensações, onde a vida começa a ser vivida para satisfazê-las. As sensações corporais como o gosto, a sensação de barriga cheia, a sexualidade, embriaguez, larica, são sensações que se tornam a fonte da aparente felicidade que buscamos.

 

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