Realidade. Lembrando a infância.

O que é a realidade? Talvez não tenha pergunta mais difícil de responder do que essa.

Realidade (do latim realitas isto é, “coisa”) significa em uso comum “tudo o que existe”. Em seu sentido mais livre, o termo inclui tudo o que é, seja ou não perceptível, acessível ou entendido pela ciência, filosofia ou qualquer outro sistema de análise.

O real é tido como aquilo que existe fora da mente ou dentro dela também. A ilusão, a imaginação, embora não esteja expressa na realidade tangível extra-mentis, existe ontologicamente, ou seja: intra-mentis. E é portanto real, embora possa ser ou não ilusória. A ilusão quando existente, é real e verdadeira em si mesma. Ela não nega sua natureza. Ela diz sim a si mesma. A realidade interna ao ser, seu mundo das ideias, enquanto ente fictício, imaginário, idealizado no sentido de tornar-se ideia, e ser idea, pode – ou não – ser existente e real também no mundo externo. O que não nega a realidade da sua existência enquanto ente imaginário, idealizado.

Quanto ao externo – o fato de poder ser percebido só pela mente – torna-se sinônimo de interpretação da realidade, de uma aproximação com a verdade. A relação íntima entre realidade e verdade, o modo em como a mente interpreta a realidade, é uma polêmica antiga. O problema, na cultura ocidental, surge com as teorias de Platão e Aristóteles sobre a natureza do real(o idealismo e o realismo). No cerne do problema está presente a questão da  imagem (a representação sensível do objeto) e a da ideia (o sentido  do objeto, a sua interpretação mental ).

Em senso comum, realidade significa o ajuste que fazemos entre a imagem e a ideia da coisa, entre verdade  e verossimilhança. Na interpretação ou representação do real, (verdade subjetiva ou crença), a realidade está sujeita ao campo das escolhas, isto é, determinamos parte do que consideramos ser um fato, ato ou uma possibilidade, algo adquirido a partir dos sentidos e do conhecimento adquirido. Dessa forma, a construção das coisas e as nossas relações dependem de um intrincado contexto, que ao longo da existência cria a lente entre a aprendizagem e o desejo: o que vamos aceitar como real?

A verdade (subjetiva) pode, às vezes, estar próxima da realidade, mas depende das situações, contextos, das premissas de pensamento, tendo de criar dúvidas reflexivas. Às vezes, aquilo o que observamos está preso a escolhas que são mais um conjunto de normas do que evidências.

O universo real, deve ser encarado como um universo que surge de uma única fonte, de um único emissor que forma tudo. Esse universo só pode ser instantâneo, e surge da vontade de Deus. Ao contrário do universo de Einstein, onde existe uma velocidade limite, devemos imaginar esse universo  como algo que está sendo construído a cada instante que brota diretamente do amor divino.

Difícil de entender, não? Mas eu garanto que você sabe o que é a realidade. Se não soubesse, não teria como se manter vivo, pois não teria como interagir com ela, e rapidamente você morreria.

Você se lembra quando era criança, e tudo que você via, dava uma alegria imensa. As coisas mais simples e singelas, pareciam coisas tão impressionantes, que mal cabiam no seu coração, e você transbordava de alegria. É que quando somos crianças, nós temos essa percepção da vida. De ela ser mágica, cheia de amor. Você se encantava até de ver maçãs de uma macieira. É como se lá no fundo, você se perguntasse, porque ela dá maçãs e não outra coisa? Poderia não dar nada. Você vive em um conto de fadas permanente, e percebe essa magia que cerca a realidade. É  como se houvesse um mágico por trás de tudo, criando-a o tempo todo, e você se surpreende ao ver seus truques, um atrás do outro. Nós não conseguimos compreender a figura de Deus por trás de tudo isso, mas conseguimos perceber muito mais que os adultos, de que a vida é mágica, bela, surpreendente.

Quando vamos envelhecendo, começa a surgir uma distância entre nós e essa realidade, e optamos em vê-la através do nosso orgulho e não pela nossa humildade, e começamos a diminuí-la. O fato é  que somos seres orgulhosos, invejosos de Deus, onde não suportamos  ver a nossa dependência, a nossa miséria diante da vida. Não queremos mais enxergá-lo como deveríamos, e com isso,  recusamos enxergar a magia da vida, que nos é tão óbvio quando somos crianças. E essa se torna a nossa luta, não suportamos mais a visão do divino diante de nós, criando em nós uma atitude de inveja. Passamos a rejeitá-lo em tudo, e não só isso, começamos a querer destruí-lo. A censura aos nossos erros, que a psicologia tanto se preocupa, na verdade, é a luta que empreendemos contra a visão de Deus. Errar significa, antes de mais nada, enxergar o certo, o divino. Censurar os próprios erros, é buscar uma vida sem a visão de Deus.

Você deve estar se perguntando, quais as provas desses fatos. Mas só o fato de você fazer essa pergunta, mostra que você esqueceu como era bom ser criança, e ter certeza da magia da vida, sem que ninguém tenha que explicar para você. “deixai os pequeninos virem até mim, pois deles é o reino do céu”. Era isso que Cristo estava nos ensinando. Toda experiência espiritual, é individual e intransferível, por isso mesmo você deve ser o seu laboratório. Volte no tempo em sua imaginação, lembre-se como tudo era belo e mágico, e você só aceitava aquilo, sem se preocupar em entender. Só você mesmo pode se convencer dessa verdade, e sabe quem ganha com essa postura de humildade diante da vida? Você mesmo, ninguém mais.

As pessoa pensam que o cristão faz uma questão enorme que os outros sejam cristão, mas isso não é verdade. Nós divulgamos Cristo, porque nos beneficiamos tanto do seu amor, que nos sentimos incomodado de não tentar levar os nossos semelhantes para tanta riqueza espiritual. É como se gritássemos para os nossos amigos:”olhem, olhem!! Que beleza estonteante nos cerca, e ficamos tristes quando eles se recusam a olhar. Mas é uma tristeza verdadeira, de ver tantos se recusarem a aceitar o óbvio. Mas cada um escolhe o quanto quer se aproveitar de Deus. Ele está aí para todos, e só depende de Nós, o quanto queremos ser felizes.

É como que quando crianças, nós olhássemos a realidade sempre como se fosse um show de mágica, esperando  que o mágico nos surpreenda com algo inesperado. Ficamos com os nossos olhinhos atentos a tudo que o grande mágico nos reserva. Esse é o estado natural que recebemos diretamente de Deus, quando nascemos. Mas infelizmente, como temos uma deficiência natural em nós, começamos a deturpar essa expectativa, pois paramos de enxergar a realidade como algo mágico, e começamos a vê-la de acordo com as nossas posturas diante dela. E  a diminuímos até perdermos esse contato com o sobrenatural, reduzindo-a a uma série de eventos naturais, onde deixamos de perceber a vida que pulsa atrás de todos eles. Ficamos com saudades dessa expectativa em relação a ela, por isso nos encantamos tanto com histórias de bruxos e contos de fadas. Isso nos agrada profundamente. A religião tem essa função, de lembrar a nós seres humanos, o sobrenatural.

Quando a religião esqueceu dessa sua função básica, de nos mostrar o que existe além da matéria, da vida perceptível, e mostrar essa magia em tudo o que existe, ela começou a perecer. E foi assim, que os seus inimigos conseguiram enfraquecê-la. Se colocaram entre nós e sobrenatural, e começaram a fazer uma religião onde nada existe além de explicações materiais para todas as questões. Tudo é matéria, não existe nada além da morte, tudo é explicável por teorias humanas, e assim nos condenaram à sua infelicidade existencial.

 

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